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    Reter ou não um aluno com atraso no Desenvolvimento? Diretora do Instituto IEAC esclarece essa questão

    O término do ano letivo é sempre motivo de preocupação entre os pais de alunos com desenvolvimento atípico, como autistas e crianças com Transtorno de Déficit de Atenção (TDAH), Síndrome de Down, ou outras. 


    Por falta de orientação, alguns pais e escolas têm dúvidas se o melhor é reter a criança ou permitir que ela prossiga para a próxima série, como os colegas de desenvolvimento típico de mesma idade.

    Segundo a psicopedagoga e analista do comportamento, Michelli Freitas, diretora do Instituto de Educação e Análise do Comportamento (IEAC), para tomar essa decisão é preciso, antes de mais nada, analisar cada caso separadamente, considerando fatores como histórico da criança, família, escola e educadores, como também o nível de envolvimento do aluno com os colegas de classe. 

    De acordo com o Ministério da Educação (MEC), assim como a maior parte das secretarias estaduais de educação, a recomendação é que a criança com atraso no desenvolvimento sempre acompanhe a sua turma de origem, a fim de que possa progredir junto com os outros colegas da mesma idade e, dessa forma, fazer parte de uma educação mais inclusiva. 

    A psicopedagoga do Instituto IEAC não só defende essa orientação, como explica os motivos para a mesma.

    Se temos uma criança autista ou com síndrome de down, por exemplo, esperamos que ela tenha como espelho o comportamento dos seus pares de mesma idade, e não de crianças mais novas. As crianças aprendem a se comportar por meio da imitação e, diante dessa condição, podem reproduzir as maneiras das crianças mais novas, e não é o que queremos.

    Planejamento e adaptação 

    É fato que a demanda de conteúdo só aumenta no decorrer do ano letivo, e esse é o grande motivo de muitos pais optarem por reter a criança. No entanto, mesmo que a criança não tenha os pré-requisitos cognitivos para a próxima série como os outros alunos, é possível que ela aprenda e se desenvolva no mesmo ambiente que os demais.

    Para isso, é indispensável que a escola tenha um plano de ensino individualizado para a criança, conforme orienta a diretora do IEAC. Para ela, esse planejamento precisa ser feito ainda nas férias escolares e pensando para que a criança não esteja na classe apenas para socializar, mas também para aprender. A psicopedagoga acredita que muito pode ser feito para deixar esse cenário mais agradável para o aluno durante o ano. 

    Segundo a Análise do Comportamento Aplicada (ABA), é preciso adaptar o conteúdo didático de acordo com o repertório da criança, respeitando cada caso separadamente. O educador precisa saber qual o melhor método para abordar no ensino do aluno, se vai explorar apenas imagens, se vai estimular a escrita com tablets ou utilizar o alfabeto móvel, por exemplo, e esse plano não pode começar no início das aulas.

    As avaliações de desempenho também precisam ser adaptadas para os alunos com necessidades educativas especiais. As pesquisas em análise do comportamento, por exemplo, usam um método de delineamento chamado intra-sujeito, no qual o participante da pesquisa é comparado com ele mesmo. Segundo a especialista, a lógica deve ser a mesma para examinar o progresso de alunos com atraso. 

    Na avaliação, a criança é comparada com ela mesma. São observadas as habilidades que ela já tinha e que adquiriu com o passar dos meses, quanto tempo ela leva para aprender certa habilidade, quais são os pontos que têm mais dificuldade. Essas respostas servirão de base para o educador traçar um plano individualizado para próximos meses, explica. 

    Assim como os educadores, é muito importante que os pais e toda a equipe multidisciplinar também estejam envolvidos na preparação da criança para o próximo ano letivo. Mesmo no período de férias, é necessário que os pais mantenham a terapia e, junto da equipe, façam um intensivo com a criança, a fim de facilitar ainda mais essa adaptação.

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