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    56º Congresso Brasileiro de Cirurgia Plástica

    Método robótico que corrige problemas abdominais no pós-parto foi destaque no encontro 


    Médico brasileiro, pioneiro mundial da cirurgia robótica para reparação da musculatura abdominal (core muscle), o cirurgião Marco Faria-Corrêa mora há 20 anos em Cingapura e veio Brasil para ministrar cursos durante o Congresso Brasileiro de Cirurgia Plástica que aconteceu este mês em Brasília. O método foi destaque entre os colegas e mostrou ser uma das técnicas mais inovadoras da atualidade

    Após a gravidez ou quando se perde muito peso, a musculatura do abdômen se torna mais flácida. Em geral, a preocupação é estética. Ou seja, homens e mulheres ficam descontentes com aquela “barriguinha” sobressalente. Mas, de acordo com o cirurgião plástico Marco Faria-Corrêa, o problema vai além da aparência. “Durante a gestação ou quando se engorda em excesso, a musculatura abdominal se distende causando um enfraquecimento dos tecidos que unem as duas metades da musculatura abdominal. Ocorre a chamada diástase dos retos abdominais. E isso afeta um sistema muscular muito importante: o core muscle. Ou seja, o  ‘coração muscular do corpo’ (que inclui os músculos do abdômen e a parte inferior das costas) fica enfraquecido”, diz o médico.

    As consequências disso podem ser instabilidade na coluna, prolapso da bexiga e do útero (no caso das mulheres). 

    Estudos mostram que 38% das mulheres com um ou mais filhos sofrem consequências físicas da diástase dos retos, diz o Dr. Faria-Corrêa. 

    Especialista em microcirurgia reconstrutiva e pioneiro na utilização em métodos endoscópicos em cirurgia plástica, o médico desenvolveu uma técnica inovadora de robótica para reparação do core muscle. Minimamente invasivo, feito por meio de cirurgia robótica, o método evita cicatrizes em pacientes que não tenham muita sobra de pele. 

    Trata-se de uma alta tecnologia, na qual o cirurgião não segura os instrumentos e sim dirige os braços do robô que elimina todo e qualquer tremor.  O cirurgião controla todos os movimentos do robô, com uma visão tridimensional e de alta definição com ampliação de imagens de até 10 vezes. Portanto, a cirurgia é mais precisa, explica o médico. 

    Foi sobre esta técnica que o Dr. Faria-Corrêa veio falar no Congresso Brasileiro de Cirurgia Plástica em Brasília que aconteceu este mês em Brasília. O médico faz viagens constantes ao Brasil, uma vez que atende e opera pacientes no país. Mantém uma clínica no Rio e outra em Porto Alegre.

    Pioneirismo

    A cirurgia robótica existe há de 20 anos na área da cirurgia geral. Mas apenas nos últimos anos a tecnologia passou a ser aplicada na cirurgia plástica. O Dr. Marco Faria-Corrêa, integrante da SBCP, é um dos pioneiros no mundo nesta técnica. 

    “Este será o futuro das cirurgias minimamente invasivas inclusive na cirurgia plástica”, afirma o Dr. Faria-Corrêa. 

    O auxílio da tecnologia anula possíveis tremores da mão, permite incisões menores, acesso a lugares difíceis e visualização detalhada da região operada. A robótica oferece alta precisão para o cirurgião plástico, diz o especialista. 

    A cirurgia robótica é a evolução da cirurgia endoscópica.

    As cirurgias minimamente invasivas apresentam muitas vantagens quando comparadas as cirurgias abertas como: menor risco de infecção, menor trauma cirúrgico, reduz o tempo de hospitalização, reduz o tempo de recuperação, e cicatrizes menores, mais rápido retorno para o trabalho, o que compensa o aumento do custo inicial”, afirma o cirurgião plástico.

    Claro que só a técnica não faz milagres. 

    A habilidade e o toque do profissional ainda serão primordiais para procedimentos de sucesso. Da mesma forma cirurgiões plásticos mais novos não serão mais capazes apenas por estarem familiarizados com conceitos similares ao da robótica: a habilidade e a experiência sempre farão a diferença, esclarece o Dr. Faria-Corrêa.

    Prova disso é a trajetória do especialista. Antes de se especializar em robótica, o cirurgião plástico acumulou ampla experiência na área. Há 24 anos foi o pioneiro no uso da endoscopia em cirurgias plásticas de abdômen, que acabou levando-o a evoluir para a cirurgia robótica. Há 20 anos, durante o programa “Importa Talentos” do Governo de Cingapura foi convidado para desenvolver um centro de novas tecnologias em Cingapura e se estabeleceu naquele país.


    Mais sobre Marco Aurélio Faria Corrêa

    Formado em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, é o pioneiro mundial na utilização dos métodos videocirúrgicos na cirurgia plástica. Desenvolveu amplo trabalho, tanto clínico quanto experimental, criou técnicas e desenvolveu instrumentos cirúrgicos que contribuíram de forma significativa para a cirurgia Plástica na área da videocirurgia.

    Em 1992, apresentou seus primeiros resultados durante reunião da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Regional Sul, em Porto Alegre-RS, com registro em Ata (é o mais antigo registro de apresentação científica sobre o tema de videocirurgia plástica, que selou o pioneirismo brasileiro a nível mundial). Vem globalizando o conhecimento e utilização da videocirurgia plástica através de workshops, palestras, conferências e publicações na imprensa científica e leiga mundial. Dr Marco já recebeu inúmeros prêmios internacionais por suas técnicas e muito tem contribuído para o bom nome da cirurgia plástica brasileira.

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