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    Oratória é coisa de mulher? Sim!

    Por que as mulheres fogem tanto dessa responsabilidade pessoal, social e profissional?


    É muito comum observarmos mulheres competentes, empoderadas, inteligentes e, até mesmo, mulheres que já ocupam cargos de poder e que até já exercem uma grande influência na sociedade, fugirem dessa responsabilidade ou alegarem despreparo, nervosismo e ansiedade no ato da fala.

    Existem três elementos cruciais para entender esse fenômeno na vida das mulheres, por onde também poderemos construir as alternativas de superação e de libertação delas, conta Sirley Maciel, analista comportamental e escritora.

    O primeiro está associado a condição da fala feminina, considerada social, cultural e historicamente, como uma fala de segunda ordem. Mesmo ocupando cargos de chefias, de liderança e de destaque na sociedade, as mulheres não consideram esses espaços como seus. Elas alegam se sentirem radiografadas, julgadas, observadas e expostas.

    Esses sentimentos desconfortáveis, geram vários mecanismos de desculpas e de resistência das mulheres para não enfrentar os espaços de fala pública, relata a especialista. 

    Uma alegação muito comum é de que as mulheres constrangem mais que os homens e que os mecanismos de constrangimentos vindo dos homens são diferentes daqueles vindo de mulheres, sendo esses mais cruéis.

    A segunda constatação é de que a fala masculina vem sendo historicamente classificada como a fala normativa, padrão, correta e de poder.

    Nesse sentido, as dificuldades das mulheres só se ampliam. 

    Elas, nos espaços públicos, estão sempre em lugares que não são considerados delas, sendo observadas, como uma voz errada, feia, fina e que não passa segurança, verdade e confiança. Isso porque a voz masculina é considerada, inclusive pelas próprias mulheres, como detentoras de uma voz forte, bonita, imponente e que passa a verdade, segurança e confiança, explica Sirley.

    E a terceira constatação, está nos corpos, gestos e posturas de homens e mulheres. Ao se sentirem inseguros os homens tendem a enfrentar os desafios com uma postura gestual e corporal que representam segurança, confiança e determinação. Isso porque, a oratória é algo que estaria inerente à condição de gênero para os homens.

    Assim sendo, eles jamais admitem ou expressam as reais condições e os reais sentimentos nesses momentos de exposição pública. As mulheres tendem a ser mais sinceras e contam ou expressam todo seu desconforto, insegurança e o mau estar que sentem nesses momentos de atuação pública.

    Foto: Divulgação

    O que fazer para tornar esses momentos mais gratificantes, prazerosos e produtivos para as mulheres? 

    A especialista explica:

    1) Trabalhar e desenvolver a autoestima nas mulheres;

    2) Realizar treinamentos de comunicação e oratória exclusivos para mulheres e, de preferência, por pessoas que tenham pesquisas e compreendam as diferenças e necessidades específicas das mulheres;

    3) Desenvolver novas pesquisas para ajustar as necessidades técnicas da oratória às necessidades das mulheres. Reconhecendo em sua comunicação e oratória as qualidades, diferenciais e eficiências que tornam a comunicação feminina uma necessidade para a oratória moderna. Minimizando os efeitos destrutivo das relações machistas, preconceituosas que penduram e das quais as mulheres ainda estão sujeitas.

    INTREPEDS - Instituto de Treinamento, Pesquisa e Desenvolvimento do Ser

    Sirley Machado Maciel

    Analista comportamental, terapeuta e escritora


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